Queixas

Sentado na minha cadeira de rodas
Percebo os primeiros sinais da aurora
Que pintam o imenso horizonte
As lembranças em minha mente andam em voltas
Me lembrando das alegrias de outrora
Quando nas minhas madrugadas corria até o monte

Sentava na relva fresca e húmida
Respirava o ar que era fresco e puro
Aguardando o nascer maravilhoso do sol
Tinha certeza quando a negra escuridão fosse sumergida
O sol clareava com sua voz púrpura
Lançada sobre a natureza, com os raios do seu arrebol

Olho pela janela entreaberta
Sinto o ar fresco roçando meu rosto
Meu olhar lúcido se enche de tristeza
E minha imaginação sempre mais se liberta
Me traz mais lembranças e grande desgosto
Por me manter preso a cadeira sem aproveitar tamanha beleza

Movimento a cadeira no quarto escuro
Me isolo para que ninguém de mim sinta pena
Sozinho, chorando, a dor sofro calado
E, esconder de todos sempre procuro
Não quero que outros sofram por minha sina
Que já basta por me deixar tão desolado

Eu sei que Deus quer e vai me ajudar
E de todo mal e dor vai me salvar
Com muita alegria recomeçarei então
As coisas belas da vida apreciar
E o lindo sol, ao nascer saudar
A sua energia e saborear com emoção

Como o sol que nasce todos os dias
E aquece a todos sem distinção
Por ser imparcial, justo e leal
Quero, então aproveitar com toda alegria
E a Deus elevarei sempre devota oração
Em agradecimento a sua bondade sem igual.

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